O emburrecimento pelo ambiente que se convive

11 10 2016

burroDias atrás, estava tendo uma conversa em que fui questionado se seria possível “emburrecer” com o passar do tempo. Não sou nenhuma autoridade para falar do assunto, já que não tenho estudo nem formação para responder tal pergunta, mas neste último ano tenho pensado nisso já que vejo acontecer comigo mesmo.

Voltando à pergunta, não só acho que é possível emburrecer com o passar do tempo, mas é possível emburrecer pelo ambiente em que estamos inseridos diariamente. Lembro que durante o período da minha graduação (2010 – 2013), eu consegui obter uma alta curva de aprendizagem. Eu sentia que estar inserido no ambiente acadêmico me motivava cada vez mais a buscar conhecimento. Minha empolgação era tanta que, além da própria faculdade, em paralelo eu escrevi alguns artigos científicos que foram aceitos para publicação em anais de eventos, sendo que viajei para participar de alguns desses eventos, fui bolsista por um ano na qual desenvolvi um projeto de pesquisa, fiz cursos extracurriculares, obtive certificações e sempre fui participativo nas atividades da faculdade (pelo menos tentava, já que eu tinha um emprego formal e já estava casado).

Minha empolgação com tudo isso era tanta que eu tinha plena certeza que sairia da faculdade direto para um programa de mestrado, já que tinha a recomendação de alguns professores. Bom, a faculdade acabou, me formei, não fui aceito nos programas de mestrado e a vida seguiu. Diante de alguns tropeços, acabei voltando a trabalhar em um emprego que eu já tinha no passado, que é um serviço mais operacional e não exige (nem valoriza) formação ou conhecimento.

Nesse ambiente há profissionais muito bons no que fazem, mas são pessoas que na sua maioria estão ali a 5, 10, 20 anos ou mais. Por comodismo, falta de oportunidade ou interesse, esses profissionais não possuem certa formação. Creio que o modelo de administração da empresa preze por isso, pois o conhecimento pode dar asas às pessoas e eles podem perder a mão de obra atual e não conseguir repor. O que acontece é que nos envolvemos diariamente com as pessoas e acabamos por ter um nivelamento pela média cultural da maioria (nem sei se esta métrica isto existe) e todo aquele conhecimento que cultivamos com o tempo acaba ficando para trás, ele vai se perdendo por falta de uso. Algumas literaturas da área da gestão do conhecimento falam que o ativo mais valioso de uma empresa é o conhecimento e que o mesmo é o único que não sofre desgaste conforme é utilizado. Um exemplo é o aprendizado de um novo idioma: quanto menos você o utiliza, mais ele se desgasta.

 

Este texto é baseado em puro “achismo” do autor, e não deve ser utilizado como referência para nenhum tipo de estudo, já que está mais para desabafo do que para material de consulta.

 

Recomendo a leitura do post A vida profissional e o processo de emburrecimento diário na qual o autor Florisval F. Silva Junior fala sobre o assunto, mas dessa vez com a propriedade de um profissional da área.








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